O Apartaid Disfarçado no Mercado de Trabalho de Salvador
A cidade de Salvador é vista por todo o planeta através da Bahia Tursa (órgão de turismo baiano), em suas imagens é visto o Farol da Barra e principalmente o Pelourinho, com sua arquitetura européia e sua identificação através das baianas de acarajé e os blocos afros, assim Salvador é apresentada como uma cidade voltada para a cultura afro e sua relação com os afro descendentes e de perfeita harmonia.
Porem é de observar que, na pratica essa harmonia não funciona no mercado de trabalho. Pois uma cidade com aproximadamente 80% da população afro descendente, tem sua população econômica ativa composta na sua maioria por não-negro1. Assim percebe-se que há “um apartai de disfarçado todo dia quando me olho não me vejo na TV, quando mim vejo estou sempre na cozinha, ou na favela submisso ao poder” 2. Uma forma de observar a discriminação que atinge os afro descendentes está nas dificuldades enfrentadas pelas mulheres negras no mercado de trabalho. Em Salvador, as mulheres negras correspondem a 46% em idade ativa regional, que apresentam maior necessidade de mobilização para o mercado de trabalho (dados do DIEESE3), sofrem mais com o desemprego e são desvalorizadas em sua função profissional.
No dia 30 de Maio de 2007 houve uma palestra para inserção de jovens afro descendentes no mercado de trabalho de Salvador, esta foi promovida pelo Instituto de Responsabilidade e Investimento Municipal (IRIS) em parceria com a Secretaria Municipal de Reparação (SEMUR) e ministrada pelo professor universitário Hélio Santos, contou com a presença de vários representantes de varias secretarias relacionadas no assunto, alem de gerentes e subgerentes dos shopings, Iguatemi, Barra, Lapa e Piedade. A palestra teve objetivo discutir com representantes desses centros comerciais e outros empresários a importância de incentivar a diversidade étnica no mercado de trabalho da cidade, “no Brasil foi criado um estigma de que o negro está inapto a ingressar no mercado de trabalho, quando os empresários deveriam avaliar não a cor, mas a capacidade desses jovens” 4.
Segundo dados de uma pesquisa realizada em 1998 pelo DIEESE, o homem negro5 ganha 47% menos que o não-negro, e a mulher 28%, “o que provoca isso é que a empresas brasileiras não querem que sua imagem esteja associada ao negro (...)” 6. Por isso é esdrúxulo dizer que a cidade de Salvador tem uma baianidade nagô.
O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria (...) Temos um corpo docente muito qualificado com 90% dos professores com mestrado ou doutorado. Alem disso temos uma boa estrutura, (...) o que eu posso fazer para melhorar a capacidade cognitiva das pessoas? Não tenho como mudar a genética. A prova do Enade não foi ruim. Ruim são os nossos alunos7.
A isso Dantas coloca a culpa na genética baiana direcionando as ofensas para a população que em sua maioria e negra e afro descendente.
Hoje qualquer pessoa que visitar os grande shopings, as grandes empresas e os grandes hotéis de Salvador vai notar que, eles se negam a contratar negros e afro descendentes para ocupar cargos importantes e também onde se tem contato direto com o cliente.
As desigualdades no mercado de trabalho entre negros e não-negros do ano de1998, comparação das taxas de desemprego nas diferentes regiões mostra que, em Salvador, a taxa de desemprego entre os negros é 45% maior que entre os não-negros, apresentando cerca de 8 pontos percentuais de diferença (25,7% entre os negros e 17,7% entre os não-negros). Em São Paulo, ocorre fenômeno semelhante, com uma distância de 40% entre as taxas de desemprego entre as duas raças. Ainda que em proporções elevadas, os menores diferenciais ocorrem no Distrito Federal e em Recife. No total das regiões, 50% dos desempregados são negros, o que corresponde a 1.479.000 pessoas, em 1998. Em Salvador, os negros são 86,4% dos desempregados e, em Recife e no Distrito Federal, cerca de 68%. Já em Porto Alegre, representam 15,4% do total de desempregados. Em São Paulo os negros desempregados são 650 mil pessoas e representam 40% dos desempregados desta região metropolitana.
(grafico não inserido)
De qualquer modo a idéia de igualdade da lugar à desigualdade e as diferenças sociais originadas numa idéia de hierarquização racial, assim o caráter degenerativo de mestiçagem tornou-se desde então, um dos temas predominantes e a ideologia de ordem e progresso foi transformada num conceito biológico “os brasileiros herdaram a preguiça dos negros, a imprevidência dos índios e a luxuria dos portugueses”8.
A desigualdade racial no mercado de trabalho diminuiu muito no Brasil, mas os negros continuam recebendo salários menores e as mulheres negras são na maioria entre trabalhadores sem carteira assinada e em trabalho domésticos. Segundo uma pesquisa realizada pelo DIEESE, a “população negra no mercado de trabalho” no ano de 2004 - 2005 em seis regiões brasileiras (Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo) a taxa de desemprego continua atingindo mais os negros, que são maioria em idade ativa (10 anos ou mais), na pesquisa a taxa maior foi em Salvador 26%, e a menor foi em Belo Horizonte 21,9%. Mesmo quando em nível superior, o negro tem mais dificuldade em conseguir emprego, quanto ao salário a desigualdade também é grande, pois em Salvador, o negro ganha quase metade do que um não-negro e essa tendência permanece entre os negros com curso superior, que recebem, em media, 20% a menos que os não-negros. Ainda para a parcela populacional negra, o rendimento por hora das mulheres é, em média, menor que o do homem em todas as regiões analisadas. Uma explicação e superficial para a segregação sofrida pelas afro brasileiras metropolitanas de Salvador, local em que o rendimento médio real por hora auferido pelos negros corresponde a, respectivamente 48,7% e 52,7% em relação aos não-negros, pois enquanto os não-negros recebiam, por hora, R$8,08 em media, as negras recebiam R$ 3,17 o que representa apenas 39,2% do rendimento médio por eles recebido.
A isso conclui-se que toda a imagem de uma Bahia com mistura de raças e de igualdade para todos, fica apenas na teoria e na propaganda turística para vender uma imagem de cidade maravilhosa, pois o pelourinho que é visitado pelos turistas é o pelourinho arquitetômico e suas estruturas antigas, um lugar que foi usado para chicotear os negros e usar e abusar das mulatas. Então se tem uma visão teórica de que em Salvador não existe preconceito e que toda sua cultura é voltada para a cultura afro e deixa de observar que lá os negros estão insatisfeitos com as maneiras em que são tratados. Fica-se então uma pergunta, se a cidade tem uma cultura afro. Porque será que existe movimento negro na cidade?
O Movimento Negro Unificado9 (MNU) é um dos movimentos que contribui na formação de diversas lideranças que até hoje são consideradas referencias nacionais e internacionais na luta anti-racista. Contudo fica ambíguo dizer que há igualdade de raças, quando na verdade ainda perpetua a idéia de que, o negro é preguiçoso e avarento, alimentando um preconceito disfarçado e contribuindo para um verdadeiro beneplácito de desigualdade.
A cidade de Salvador é vista por todo o planeta através da Bahia Tursa (órgão de turismo baiano), em suas imagens é visto o Farol da Barra e principalmente o Pelourinho, com sua arquitetura européia e sua identificação através das baianas de acarajé e os blocos afros, assim Salvador é apresentada como uma cidade voltada para a cultura afro e sua relação com os afro descendentes e de perfeita harmonia.
Porem é de observar que, na pratica essa harmonia não funciona no mercado de trabalho. Pois uma cidade com aproximadamente 80% da população afro descendente, tem sua população econômica ativa composta na sua maioria por não-negro1. Assim percebe-se que há “um apartai de disfarçado todo dia quando me olho não me vejo na TV, quando mim vejo estou sempre na cozinha, ou na favela submisso ao poder” 2. Uma forma de observar a discriminação que atinge os afro descendentes está nas dificuldades enfrentadas pelas mulheres negras no mercado de trabalho. Em Salvador, as mulheres negras correspondem a 46% em idade ativa regional, que apresentam maior necessidade de mobilização para o mercado de trabalho (dados do DIEESE3), sofrem mais com o desemprego e são desvalorizadas em sua função profissional.
No dia 30 de Maio de 2007 houve uma palestra para inserção de jovens afro descendentes no mercado de trabalho de Salvador, esta foi promovida pelo Instituto de Responsabilidade e Investimento Municipal (IRIS) em parceria com a Secretaria Municipal de Reparação (SEMUR) e ministrada pelo professor universitário Hélio Santos, contou com a presença de vários representantes de varias secretarias relacionadas no assunto, alem de gerentes e subgerentes dos shopings, Iguatemi, Barra, Lapa e Piedade. A palestra teve objetivo discutir com representantes desses centros comerciais e outros empresários a importância de incentivar a diversidade étnica no mercado de trabalho da cidade, “no Brasil foi criado um estigma de que o negro está inapto a ingressar no mercado de trabalho, quando os empresários deveriam avaliar não a cor, mas a capacidade desses jovens” 4.
Segundo dados de uma pesquisa realizada em 1998 pelo DIEESE, o homem negro5 ganha 47% menos que o não-negro, e a mulher 28%, “o que provoca isso é que a empresas brasileiras não querem que sua imagem esteja associada ao negro (...)” 6. Por isso é esdrúxulo dizer que a cidade de Salvador tem uma baianidade nagô.
O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria (...) Temos um corpo docente muito qualificado com 90% dos professores com mestrado ou doutorado. Alem disso temos uma boa estrutura, (...) o que eu posso fazer para melhorar a capacidade cognitiva das pessoas? Não tenho como mudar a genética. A prova do Enade não foi ruim. Ruim são os nossos alunos7.
A isso Dantas coloca a culpa na genética baiana direcionando as ofensas para a população que em sua maioria e negra e afro descendente.
Hoje qualquer pessoa que visitar os grande shopings, as grandes empresas e os grandes hotéis de Salvador vai notar que, eles se negam a contratar negros e afro descendentes para ocupar cargos importantes e também onde se tem contato direto com o cliente.
As desigualdades no mercado de trabalho entre negros e não-negros do ano de1998, comparação das taxas de desemprego nas diferentes regiões mostra que, em Salvador, a taxa de desemprego entre os negros é 45% maior que entre os não-negros, apresentando cerca de 8 pontos percentuais de diferença (25,7% entre os negros e 17,7% entre os não-negros). Em São Paulo, ocorre fenômeno semelhante, com uma distância de 40% entre as taxas de desemprego entre as duas raças. Ainda que em proporções elevadas, os menores diferenciais ocorrem no Distrito Federal e em Recife. No total das regiões, 50% dos desempregados são negros, o que corresponde a 1.479.000 pessoas, em 1998. Em Salvador, os negros são 86,4% dos desempregados e, em Recife e no Distrito Federal, cerca de 68%. Já em Porto Alegre, representam 15,4% do total de desempregados. Em São Paulo os negros desempregados são 650 mil pessoas e representam 40% dos desempregados desta região metropolitana.
(grafico não inserido)
De qualquer modo a idéia de igualdade da lugar à desigualdade e as diferenças sociais originadas numa idéia de hierarquização racial, assim o caráter degenerativo de mestiçagem tornou-se desde então, um dos temas predominantes e a ideologia de ordem e progresso foi transformada num conceito biológico “os brasileiros herdaram a preguiça dos negros, a imprevidência dos índios e a luxuria dos portugueses”8.
A desigualdade racial no mercado de trabalho diminuiu muito no Brasil, mas os negros continuam recebendo salários menores e as mulheres negras são na maioria entre trabalhadores sem carteira assinada e em trabalho domésticos. Segundo uma pesquisa realizada pelo DIEESE, a “população negra no mercado de trabalho” no ano de 2004 - 2005 em seis regiões brasileiras (Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo) a taxa de desemprego continua atingindo mais os negros, que são maioria em idade ativa (10 anos ou mais), na pesquisa a taxa maior foi em Salvador 26%, e a menor foi em Belo Horizonte 21,9%. Mesmo quando em nível superior, o negro tem mais dificuldade em conseguir emprego, quanto ao salário a desigualdade também é grande, pois em Salvador, o negro ganha quase metade do que um não-negro e essa tendência permanece entre os negros com curso superior, que recebem, em media, 20% a menos que os não-negros. Ainda para a parcela populacional negra, o rendimento por hora das mulheres é, em média, menor que o do homem em todas as regiões analisadas. Uma explicação e superficial para a segregação sofrida pelas afro brasileiras metropolitanas de Salvador, local em que o rendimento médio real por hora auferido pelos negros corresponde a, respectivamente 48,7% e 52,7% em relação aos não-negros, pois enquanto os não-negros recebiam, por hora, R$8,08 em media, as negras recebiam R$ 3,17 o que representa apenas 39,2% do rendimento médio por eles recebido.
A isso conclui-se que toda a imagem de uma Bahia com mistura de raças e de igualdade para todos, fica apenas na teoria e na propaganda turística para vender uma imagem de cidade maravilhosa, pois o pelourinho que é visitado pelos turistas é o pelourinho arquitetômico e suas estruturas antigas, um lugar que foi usado para chicotear os negros e usar e abusar das mulatas. Então se tem uma visão teórica de que em Salvador não existe preconceito e que toda sua cultura é voltada para a cultura afro e deixa de observar que lá os negros estão insatisfeitos com as maneiras em que são tratados. Fica-se então uma pergunta, se a cidade tem uma cultura afro. Porque será que existe movimento negro na cidade?
O Movimento Negro Unificado9 (MNU) é um dos movimentos que contribui na formação de diversas lideranças que até hoje são consideradas referencias nacionais e internacionais na luta anti-racista. Contudo fica ambíguo dizer que há igualdade de raças, quando na verdade ainda perpetua a idéia de que, o negro é preguiçoso e avarento, alimentando um preconceito disfarçado e contribuindo para um verdadeiro beneplácito de desigualdade.
OBS: Os números que aparecem no final das frases, são de citação ou notas.
(Texto de minha autoria com base nas referências abaixo.)
(Texto de minha autoria com base nas referências abaixo.)
(atensiosamente: ysbrito@hotmail.com )
http://www.dieese.org.br/esp/negro.xml
http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/2004/11/18/ult82u5440.jhtml http://www.observatoriosocial.org.br/portal/images/stories/documentos/dieese_negra.pdf
http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL448889-5604,00.html
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u397281.shtml
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/11/268452.shtml
http://www.salvador.ba.gov.br/index.php? http://www.option=com_content&task=view&id=966&itemid=42/
RL:: http://www.neorama.com.br/
Laraia, Roque de Barros. Cultura: Um Conceito Antropológico. 15. ed. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002
Vários Autores. Racismo no Brasil. São Paulo: Petrópolis; ABONG, 2002.
http://www.dieese.org.br/esp/negro.xml
http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/2004/11/18/ult82u5440.jhtml http://www.observatoriosocial.org.br/portal/images/stories/documentos/dieese_negra.pdf
http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL448889-5604,00.html
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u397281.shtml
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/11/268452.shtml
http://www.salvador.ba.gov.br/index.php? http://www.option=com_content&task=view&id=966&itemid=42/
RL:: http://www.neorama.com.br/
Laraia, Roque de Barros. Cultura: Um Conceito Antropológico. 15. ed. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002
Vários Autores. Racismo no Brasil. São Paulo: Petrópolis; ABONG, 2002.
